Tuesday, November 20, 2007

Acaso fluir


Não, não é uma luta. Nem algo assim tramado na tensão de um confronto. Se sobreviveram poderá ter sido não por esforço ou argúcia, mas por um acaso. Um sem razão, sem glória, confluência de dez mil fatores muito diferentes entre si, apontando em direções opostas, mas em condensação justo aqui.

Ao contrário do que gostam de clamar os defensores do padrão guerra, encarar a vida como um acaso é um jeito de desonerar ombros e palmas, evitar sofrimentos desnecessários. Mais que tudo, repõe a humildade de reconhecer a limitação do próprio espectro: o desconhecimento do que vem, porque multiplamente condicionado, porque mistério.

O acaso também faz par com o jogo, o brincar, o improviso. Um passeio sem roteiro muito elaborado, aberto às surpresas de cada passo.

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[ao som de ‘Greensleeves’, de domínio tradicional, na inspirada e multifária interpretação de Fortuna e o Coro dos Monges Beneditinos de São Paulo]
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foto: ninféias do Jardim Botânico, em São Paulo, por Ricardo Imaeda

4 comments:

Anonymous said...

Beleza de texto, como sempre. Mas fico pensando: para se chegar lá, para ser capaz de encarar a vida como acaso, é necessário aprendizado, treino, persistência, algo que se assemelha à luta. Ou não? Ainda assim - e cada vez mais - acho que vale trilhar o caminho.
Quanto a Greensleeves, magnífico.
Beijo,
Anaelena

Anonymous said...

Esqueci de falar sobre as ninféas. Dizer o quê, pra quê? está tudo lá.

Ropheka said...

Nice Blog :)

Pode me chamar assim... said...

Viemos da mesma matéria das estrelas, pelo mesmo acaso delas. E, por acaso, nos conhecemos... rs E quantos mais casos a vida me reserva, apenas por acaso? Parece que estou jogado ao acaso. Isso é bom, porque é breve. Ai de mim se fosse uma estrela!