Friday, November 20, 2009

Para onde

Quantas vezes terá olhado para o céu, dia ou noite, não em busca de algo extraordinário mas apenas de uma densidade diferente. Algo que o isolasse da rua e da vida como era gasta.

Por segundos restou entre os poucos espaços ainda livres, contemplando o que permanecia. Até quando desceu. E não saberia nem mais para onde.

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foto: detalhe do jardim e da Casa das Rosas, na avenida Paulista, SP, por R.I.

Saturday, November 14, 2009

Sim, muito bonita


Nesta última viagem de ida e volta rápida ao Rio de Janeiro o motorista de táxi faz uma daquelas perguntas que exigem resposta concisa e argumentada. Não foi dirigida a mim, mas deixou muito a pensar. Dizia ele que nunca tinha estado em São Paulo, perguntando logo em seguida se a cidade era bonita. Minha amiga alongou uma pausa para finalmente desfiar suas considerações.

O que faz uma cidade? De que beleza se trata?

Qualquer que seja a resposta parece que ela vai se contrapor à imagem que se tem de sua própria cidade. Como se o depoimento do outro sobre o lugar de sua familiaridade viesse a compor com aquilo sobre o qual se tem algum domínio – a opinião, o entorno conhecido. E devolve a quem responde uma reflexão que talvez não estivesse acostumado a fazer.

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foto: panorâmica de São Paulo a partir da Pedra Grande, no Parque Estadual da Cantareira, zona norte da cidade, por R.I.

Friday, November 06, 2009

Lento ao lento

Qualquer dia desses as coisas deixarão de se repetir. O que antes era automático perderá velocidade, chegando talvez até a parar. Pode se que passe despercebido entre tanta informação reciclada. Lento como poucos seguirá por algum estreito enquanto o tempo não o apagar.

Talvez chova, talvez fim.

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foto: escultura de Tomie Ohtake e edifício Santa Catarina, na avenida Paulista, em São Paulo, por R.I.

Thursday, October 29, 2009

Sina da extinção

O canal de tv History tem apresentado uma série de documentários sobre o que aconteceria ao planeta sem a presença dos humanos. É reconfortante saber que a natureza retomaria todos os espaços em pouco tempo, não deixando nenhum sinal da passagem daqueles que tanto fizeram por destruir e aniquilar a vida e as outras espécies.

Mas há sempre o risco de alguma espécie evoluir e replicar a trajetória já conhecida. Eis o destino que parece rondar a Terra. Será essa a história guardada, de autodestruição depois de algum tempo? A incompatibilidade em manter um equilíbrio?

Nada parece sobreviver ao movimento, ao escorrer da vida.

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foto: detalhe da fachada do Museu de Zoologia da USP, no bairro do Ipiranga, em São Paulo, por R.I.

Thursday, October 22, 2009

A duração do imediato

Parece ainda durar muito o percurso dessas poucas centenas de metros. Dessa cidade que insiste em sobreviver depois de infâncias findas. A cada volta estão lá, transfiguradas, as apreensões suspensas de quem não sabe como as histórias se resolverão. Se é que um fim chegará na travessia das fronteiras.

Não é mais o mesmo transcorrer das horas. Mas a pressa dos outros só me retarda os passos. Que sobrepesam, afundam, e correm sem parar.

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foto: detalhe da região central da cidade de Osasco, por R.I.

Saturday, October 17, 2009

Longe perto

Em dias nublados e com garoa pode vir a lembrança daqueles colegas de escola, tão distantes do passado. Que trajetória terão seguido? O que estariam fazendo hoje? Talvez seja mais que saudade. Querer saber de suas vidas é um pouco o desejo de ficção. De criar histórias possíveis de se imaginar para si próprio. Uma outra existência a partir dos esboços de tantos que já estiveram próximos. E onde estarão?

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foto: detalhe do parque Ibirapuera, na região sul da cidade de São Paulo, por R.I.

Thursday, October 08, 2009

Crepuscular

[ao som de ‘Who knows where the time goes’, de S. Denny, na voz de Nina Simone]


Qualquer hora despertas luzes chegam
Naturais como nunca antes pensava
Sem dor, nem ao menos na troca
Porque ainda caminha perto
O sopro, o gosto do fim

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foto: anoitecer no bairro da Liberdade, região central de São Paulo, por R.I.