Sunday, October 08, 2006

Não há outro

Não é questão de ser bonzinho ou malvado. O problema é esse partidarismo da razão. Uma forma de pensar que começa dividindo a realidade em lados, territórios, universos. E encontra um meio favorável para prosperar nas mentes cindidas e muito voltadas apenas para si mesmas. É um caldo para pontos de vista unilaterais que se acham abertas, até mesmo democráticas. Que querem entender o mundo e o transformar, nos moldes em que o entendem. E querem convencer os que estão do outro lado (como se outro fosse). Não percebem sua opacidade, sua irrefreável ilusão.

Não há respiros nesse partidarismo da razão. Ainda que tudo pareça claro e iluminado, as saídas estão impedidas. Mas nem se dá conta disso. Porque é assim que se costuma pensar. É assim que se educa e se amolda à vida em sociedade. Quando há fissuras nesse modelo há chances para construir pontes que diminuam distâncias.

Mas como são as consciências que irão atravessar as pontes? Terão se modificado a ponto de chegarem diferentes ao outro lado e perceberem que não é exatamente outro?

2 comments:

roberto said...

Primeira lição: separar as coisas de forma clara e distinta; categorizar. Desde então fez-se o mundo, fizeram-se as pontes. Melhor nadar até as outras margens.

Anonymous said...

desânimo!
beijo do rô
tudo de bom!