Wednesday, March 28, 2007

Bons lazeres

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Cada qual pode extrair lições de auto-ajuda ou bem-viver das mais improváveis fontes. De histórias em quadrinhos a bilhetes em biscoitos da sorte. Mas também de onde mais se espera: dos livros de sabedoria. É verdade que eles às (muitas) vezes podem ser desconcertantes, principalmente quando vêm de contextos sociais e históricos muito distantes. Ao ler Lie-Zi me deparo com a seguinte recomendação:

‘...Dessa forma, nem pobreza nem prosperidade são desejáveis. Então, que é preciso desejar? Uma vida alegre com horas de lazer, pois boas alegrias afastam a pobreza e bons lazeres afastam a prosperidade.’

Parece razoável. Uma exemplificação do caminho do meio, um antídoto contra a ética do workaholism. Mas como conceber que a alegria possa espantar a privação material? Ou mesmo que o lazer implique a deserção da riqueza?

Na tradição Tao o conhecimento deriva da observação da natureza. E, de forma paralela, da observação da experiência de outros humanos. Não se pretende um valor de verdade nos moldes da lógica ocidental. Assim, é como se vissem ações que parecem correr em pistas totalmente diferentes mas que se mesclam ao produzir um resultado na vida, que afinal é una. Que só tem a ganhar quando se faz tanto lúdica quanto aprazível.

Trivial a ponto de ser senso comum?

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O fragmento de Lie-Zi está em ‘Tratado do Vazio Perfeito’, publicado no Brasil pela Landy Editora

1 comment:

Ana Paula said...

Para alguns, é trivial. Para outros, infelizmente, é uma grande descoberta.