Wednesday, January 24, 2007

As laranjeiras do La Moneda


Santiago é uma cidade cheia de árvores por todas as ruas. Nas calçadas frutas caídas, não de alguém que as perdeu ou lançou desleixadamente. São cerejas, ameixas, outros nomes que não adivinho. Amadurecidas em excesso, espatifam-se na cerâmica como flores ou folhas. Talvez atraiam mais pássaros. E tragam outras cores. Um pomar incidental na cidade para quem mais souber apreciar.

No centro, o prédio branco se anuncia com algum assombro. Tanta história parece cair aqui, com uma agudeza de feridas. O enorme pátio em frente se projeta com uma aridez destoante. E a escultura lateral lembra um dos protagonistas do passado. Ao atravessar a entrada, é como se me visse nesse outro tempo, em meio a todo o fragor. Não importa quanta reforma, o sentido do drama revive com turbulência, incontida nas paredes, janelas e portas do palácio.

A história parece precipitar no inesperado de um choro. Inacabado, inacolhido. Chorar, por tantos que viram ruir sonhos acordados, utopias desvairadas de inocência e superação. Chorar pelas dores compartilhadas na distância e na impossibilidade. Chorar sem sentido na manhã ensolarada, agora entre tantos visitantes desanuviados. Agora que descubro, no segundo átrio, tantas laranjeiras carregadas, com seus frutos providenciais.

As laranjeiras do La Moneda são um encontro feliz. Na simplicidade de sua entrega acenam para dias que se reciclam, com frutos para colheita para braços que souberem se estender.

3 comments:

ricardo neves said...

lindo!
ouso dizer q este é o melhor de todos até agora.
e olha q tal tarefa é dificílima de realizar.
tantas palavras.
tantos sons.
tantas cores e aromas.
uma sinfonia, enfim.
obrigado, ricardo.
é só o q posso dizer.

Anonymous said...

Oi Ricardo, vc está no Chile? Que lugares espetaculares! Tenho boas lembranças deste país, muito bonito, um povo amigo, frutos do mar sensacionais...
Abraço,
Nelson

Anonymous said...

adorei ver as fotos tiradas por ti, uma a uma desta viagem que me pareceu muito serena. beijo do rô