Monday, December 11, 2006

Instantâneos em uma noite insolúvel

Rodo por São Paulo à noite, nessa época de luzes natalinas. A imensa árvore artificial, com suas lâmpadas piscantes, funciona como farol (maior, mais atraente) no parque do Ibirapuera, junto a uma das vias expressas que cortam a cidade. Com uma inesperada queda da temperatura, a cidade volta a ostentar uma das suas marcas registradas do passado (a garoa). Muitos turistas procuram se localizar, lutando com mapas e a dificuldade do idioma. E atarefados conjuntos familiares passeiam, compram, tiram fotos.

O ritmo é o mesmo dos dias de semana (produtivo, contingente). Só muda, talvez, o motivo condutor. Afinal, esse é o período de recuperar ou tatear algum encanto – de uma lembrança ou um conto de fadas ou uma propaganda. Tempo de enfeitar as superfícies, revestir as intenções.

É um cenário de musical, de vésperas recheadas de ensaios, produtos acabados em si mesmos. Em sorrisos que se produzem de uma forma contínua e natural, como essa neve. Em procissões de carros, mais lentos (mas com as mesmas reclamações de sempre), ao som de ‘Adeste fideles’.

Uma garoa inesperada.
Bela, porque improdutiva, incontingente.
E inteiramente sensível ao toque.

1 comment:

Simone Oliveira Lima said...

Oi Ricardo,

sim, socióloga, professora da universidade e escrevo roteiros também.

a história do Céu de Suely está resolvida. confira amanhã na Folha.

abraço,
Simone