Monday, March 28, 2011

Antes que seja cedo demais

[ao som de ‘Desperado’, de D. Henley e G. L. Frey, na voz emocionante de Judy Collins]

Não existe fim. Esse é o aprendizado depois de tantos anos, tanta experiência. O que parece terminar acaba se revelando inconcluso, incompleto. Só deixa de ser visível; está em algum outro lugar com a mesma força.

O que cansa não termina. Talvez permita algum repouso na sombra de uma alegria conquistada com muitos riscos. Ali onde se estendeu o resto de poesia, o ressaibo das palavras de bem dizer.

Ali onde começa.
E não se esquece mais.

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foto: lago Guarapiranga, a partir da margem norte, no bairro do Socorro, zona sul de São Paulo, por R. I.

Tuesday, March 22, 2011

Enfim

Há o cansaço. E os ciclos repetidos de dias e frases.
Mais o sono intermitente de fins antecipados.
Esse deveria ser o sentido que buscava há tanto tempo.

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foto: instalação do grupo francês Carabosse no Jardim da Luz durante a Virada Cultural de 2009 em São Paulo, por R.I.

Tuesday, March 15, 2011

Mais pesado mais vento

Andando à tarde em ruas desconhecidas me dou conta de que o tempo passou. A lentidão pode ser proposital, mas também carrega um peso. Não físico. Ao ver o movimento todo, de veículos e gente, sem pausa nem lastro, sinto o gosto do passado refluir como magma. Ainda se pode reconhecer o roteiro, primeiros desfechos; entender as conversas, encaminhamentos. Mas a densidade mudou. O que antes parecia alimentar agora passa sem garantir sustento. Pesa, sendo cada vez mais rarefeito.

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foto: a partir do interior do terminal do Expresso Tiradentes, no Sacomã, zona sul de São Paulo, por R.I.

Sunday, March 06, 2011

Sob o tempo

Agora sim
Fluirá com o tempo
Por dutos velhos
Que não aguentam
Em débito
Cada vez mais perto

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foto: tarde de chuva sobre o viaduto do Chá, no centro de São Paulo, por R.I.

Sunday, February 20, 2011

Junto ao fora

Pode parecer incrível, mas um dos raros momentos cotidianos em que alguém pode se identificar com o todo é assistindo a um filme em uma sala de cinema. Lá ele volta a ser um com a espécie, com o universo. Consegue se desvencilhar dos nós que o mantêm ligado à sua vida particular, separada, e mergulhar no rio daquelas outras vidas, tão distantes e vizinhas. Por duas horas, pouco mais, pouco menos, ele não apenas observará como de fato estará nessas outras biografias.

Não importa seu destino. A experiência do cinema modifica o olhar dessa forma radical, ainda que momentaneamente. Mais do que qualquer conteúdo novo, a vivência da integração com o que parecia estar fora.

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foto: praça do Patriarca, no centro de São Paulo, por R.I.

Tuesday, February 15, 2011

Trilhas encobertas

Quanto ainda resta do estoque de respiros tenta-se adivinhar. Cada vez que há uma parada o montante se altera para menos ou mais. Como um alimento para o corpo esvaído, mais que o sono ou estímulos sensoriais, o vento o reanima. Distância. Espaço. E um andar que não cessa ainda.

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foto: vista da orla de Santos, por R.I.

Tuesday, February 08, 2011

O mais difícil

É como respirar aliviado por escapar mais uma vez sem saber ao certo onde vai dar essa trilha de um só. Olhar para a mesma paisagem dos outros em um passo diferente, quieto e instigante. Resistir às demandas de voltar. E continuar.

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foto: skyline de São Paulo a partir de um dos lagos do parque Ibirapuera, por R.I.