Wednesday, August 11, 2010

Pouco

E existem todos esses tempos alongados de uma espera sem motivo, sem saber. Dias mais dias em que não se faz nada de progressivamente útil, produtivamente acumulável. As chances nem vêm nesse fundo de vale.

O passado às vezes o agita, tantas vidas ensaiadas, esboços incompletos. Assim os reencontra em páginas e rostos ao acaso. Em parte, mais em mais, em parte.

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foto: chuva se aproxima da Biblioteca de São Paulo, no Parque da Juventude, zona norte de São Paulo, por R.I.

Thursday, August 05, 2010

Entre uma vida e

Com quantos renascimentos se pode contar, quantas novas vidas para renascer em terras tão longe? Ou aqui mesmo, neste lugar que passa a se não reconhecer, estranho com uma cara por demais conhecida? Quanto fôlego é preciso abastecer para seguir, simplesmente seguir...

E quase não se acredita mais que ainda existe alguém, alguma coisa, algum caminho.

E então se respira, e respira.

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foto: jardim do Memorial do Imigrante, na Mooca, em São Paulo, na véspera de seu fechamento para longa reforma

Saturday, July 24, 2010

Sobre a terra

Não adianta o incessante movimento de carros, nem o vazar de horas. A fala intensa da mente vai se aquietar agora que os passos se tornam mais lentos. No vazio sob os pés se iluminam fachos de saída.

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foto: trecho da Radial Leste, a partir do viaduto da Glória, no bairro da Liberdade, em São Paulo, por R.I.

Wednesday, July 21, 2010

Mais denso que o ar

Primeiro foi o medo, esse fascínio da queda e do desconhecido. Por muito tempo restou apenas como força de arrasto. Passava em volta de todos os gestos e pensamentos, pendendo em sombras, os prazos perto do fim.

Depois foi a espera, qualquer coisa mais sem forma que os dias. Qualquer voz, o anúncio da chegada, mas logo então o desmentido, e mais uma vez.

Agora, o espaço de ar expandido. Nada mais sufoca. E a casa deixa de respirar.

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foto: deslizar elegante de uma raia no Aquário SP, no bairro do Ipiranga em São Paulo, por R.I.

Monday, July 19, 2010

Quem é o que escreve

Por que ele diz tanto sobre si mesmo? Parece só ver espelhos onde alcança. Talvez queira ser o heroi de seu canto, no desfile de palavras que puxa para a superfície. Que destino lidar com palavras. Matéria prima, matéria finda. Trazidas de volta à vida perdem voz na prisão do poeta.

Saturday, July 10, 2010

Dos silêncios afastados

Assim passaram dias e meses sem notícias. Como se tivesse partido, história finda. Meses, anos.
Não foi por palavras nem gestos. Apenas uma canção que ressuscita na pesquisa da memória. No acaso de encontros improváveis, vozes cada vez mais distantes.

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foto: detalhe de quiosque na praça Antonio Prado, no centro de São Paulo, por R.I.

Tuesday, June 29, 2010

Religados

Uma vez que são muitos os dias comuns, que tal seguir com eles como em uma história de suspense, expectativas de encontro e desfechos inesperados?

Uma vez que são raros os dias especiais, como fazer para diminuir sua velocidade, ampliar seu alcance e adensar seus passos na memória?

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foto: luminária no saguão do Mosteiro de São Bento, na região central de São Paulo, por R.I.