Sunday, June 20, 2010

Solstício de inverno

Este inverno pode ser o próximo. Como deixou se inventar muitas vezes outros anos. Mais que o seco sem ventos, cidade sem rostos para encontrar em palavra ou graça. Quais seriam as faces de uma estação partindo?

::
foto: detalhe do núcleo Engordador do parque da Cantareira, na zona norte de São Paulo, por R.I.

Monday, June 14, 2010

Quando se desfaz

Vejo flores na terra devastada. É apenas uma questão de tempo. Elas continuam, como partes de um só corpo esquecido, ainda quando ninguém possa perceber. As cores estão lá, mais vivas quanto menos evidentes, silenciosas na sua potencialidade.

Pássaro raro, enquanto quase não.

::

foto: ikebana em exposição no Bunkyo, no bairro da Liberdade, região central de São Paulo, por R.I.

Sunday, June 06, 2010

Mais lento que passa

No semi-sono o tempo passa
como no subterrâneo
Mais lento que sobra
São horas quando minutos
Não andam,
ao invés dos metrôs
Ainda bem que perduram
Ainda mais nesse escuro
Não sem outro
embora

::

foto: relógio da estação Júlio Prestes, na região central de São Paulo, por R.I.

Thursday, June 03, 2010

Raios mais próximos

Ficou distante por algum motivo. Na pressa imediata qualquer parada parece trazer atraso. Em meio à turbulência seu raio de caminhada fica mais e mais restrito. Longe, sem sair muito dos percursos alcançáveis em pouco tempo.

Qual é a hora de descansar em meio ao andar dos impensáveis?

::

foto: detalhe do parque Villa-Lobos, no Alto de Pinheiros, zona oeste de São Paulo, por R.I.

Thursday, May 20, 2010

Oito

Deixando para trás a multidão e o burburinho à espera da apresentação da orquestra municipal e do Coral Lírico, um momento de parada e respiro prolongado. Entrar na Pinacoteca de noite só nessa época. E só assim, com o escuro natural, para apreciar em plenitude essa obra. De delicadeza e força, no pulsar das luzes e canto de pássaros.

O desenho me lembrou do nobre caminho óctuplo, as orientações budistas para um viver desperto. Lá estava um motivo de contemplação, multiplicidade de vazios, transparentes, perpassados de tudo o mais que não matéria. Os professores de música de ‘...E la nave va’, de Fellini, extraindo fina melodia das taças no navio a ponto de naufragar. Meus próprios ensaios de canto, quantas mesas à espera de quem sabe-se lá quando. E as luzes encantam, ensonam, entornam.

Lá fora, a grande festa da cidade continua. Ela está aqui, apagando e acendendo, lentamente. Viva, no espaço entre duas inspirações.

#

foto: instalação de Vera Barcellos, com taças e luzes, especialmente criada para o octógono da Pinacoteca do Estado, em noite de Virada Cultural, na região central de São Paulo, por R.I.

Sunday, May 16, 2010

Aqui, São Paulo

::
fotos: cenas da noite e dia da Virada Cultural 2010, em São Paulo, por R.I.

Wednesday, May 12, 2010

Subterrâneo sem fim

Alice quer mais voltar para casa do que ficar no mundo subterrâneo. Pensa como Dorothy, de ‘O mágico de Oz’. Afinal, todo esse cotidiano de aventuras não parece ter a densidade da superfície. Talvez venha a sentir falta daquele gato de um peso vaporoso. Ou das mudanças tão imediatas de volume que a deixam andar por todos os cantos, ainda que sempre fora de escala.

Não se ajustar nunca de fato parece ser a melhor saída. Mas o retorno também parece nunca ser concluído.

::

foto: detalhe do parque da Água Branca, na zona oeste de São Paulo, por R.I.